José Carlos Branco – O Doutor dos Pneus

A vida tem destas coisas... no preciso momento em que o meu Pai estava entre a vida e a morte, tendo acabado por falecer no dia 27 de Março, recebo a triste notícia que o meu grande Amigo e “professor no mundo dos pneus” tinha partido.

Como se não bastasse, estava em Genebra e não pude ir ao teu funeral. Tinhamos tido uma longa conversa telefónica, de mais de 45 minutos, como sempre, quinze dias antes. Nessa mesma conversa telefónica, como sempre, quiseste saber de mim, da minha atividade profissional e de todo o nosso núcleo de amigos dos pneus. O Sr. José Lourenço, o Sr. João Almeida, o Sr. Ramiro Rodrigues, o Sr. Manuel Vivas, o José Saraiva, o José Queirós, o Paiva Carvalho, etc., etc., etc. Adoravas conversar sobre o negócio dos pneus, adoravas ler a Revista dos Pneus que sempre me encarreguei de te fazer chegar, com a preciosa ajuda do João Vieira (obrigado João).

José Carlos Branco, como gostavas de ser tratado, já estou lavado em lágrimas, mas tenho que te render uma última homenagem e agradecer-te nestas páginas com as palavras que não tive oportunidade de te dirigir em vida. Muito obrigado por teres sido o meu “professor dos pneus”, o meu modelo, o meu ídolo e sobretudo, acima de tudo, meu AMIGO. Fiz sempre tudo, para honrar a confiança que sempre depositaste em mim ao longo do nosso cruzar de carreiras. Adorei trabalhar contigo e tentei sempre seguir os teus sábios e experientes conselhos, graças aos quais, evitei muitas quedas e falhanços. OBRIGADO.

Foste o Senhor MICHELIN e o Grande Embaixador da CONTINENTAL Portugal. Cruzámo-nos profissionalmente na Michelin e na Continental, mas foi na Continental que mais de perto convivemos, partilhámos emoções e que mais aulas me deste. Frases incontornáveis e lapidares como “Andamos a vender os pneus de ontem, mas devíamos era andar a vender os pneus de amanhã...” ficarão para sempre gravadas na minha memória. Na Continental, desempenhaste um papel único e decisivo na exponencial explosão da quota de mercado das marcas do grupo. Passar de 8% para 25% de quota de mercado, num tão curto espaço de tempo, só foi possível graças à tua preciosa ajuda, aos teus sábios conselhos, à tua capacidade de moralizar todos os colegas, ao teu sentido de organização e método, à tua sensibilidade comercial de um “outro planeta” e à tua inabalável reputação no mercado dos pneus em Portugal. A CONTINENTAL tem que estar eternamente grata para contigo e para com a tua memória. A MICHELIN também.

Por último e, porque não aguento mais as lágrimas que me correm pela face, não posso deixar de cometer uma pequena inconfidência, mas não encontro forma mais sublime de te render a minha última homenagem... Vais ter que me perdoar. Há cerca de uns 6 anos, nos deliciosos almoços no Tanoeiro (em Famalicão), onde privávamos regularmente, trouxeste-me, como sempre fazias, mais um documento precioso para me oferecer. Dessa vez, era um documento especial que querias que eu lesse e destruísse. Pois bem, nunca tive coragem para o destruir (estou certo que já imaginavas) porque, tendo eu conhecido e admirado as qualidades intelectuais do Sr. Jean Claude Pats (Director Comercial da Michelin Portugal na minha época), achei sempre que aquela carta era muito mais que um texto ou um mero conjunto de palavras... Aquela carta era um monumento e uma grande homenagem ao SR. JOSÉ CARLOS BRANCO, O DOUTOR DOS PNEUS.

Aqui deixo uma cópia do original em francês, como forma de te render, nas sublimes palavras do Jean Claude Pats, a grande homenagem que mereces. TU NÃO MORRES!! (Desculpa, foi a primeira vez na vida que te tratei por tu, mas, os verdadeiros amigos tratam-se por “tu”, a partir de agora, estejas onde estiveres, vais ter que me passar a tratar por “tu”).

Um beijo e ATÉ SEMPRE!

O teu irreverente (como me gostavas de classificar) e sempre Amigo Luis Miguel Estevinho Martins

PS: Tenho muitas saudades tuas e das nossas longas conversas.

Carta JCBRANCO JCPATZ

PERFIL

JOSÉ CARLOS BRANCO
(22-11-1933 / 17-03-2016)

José Carlos Branco, nasceu a 22 de Novembro de 1933.

Iniciou a sua carreira, no mercado dos pneus, nos primeiros anos da década de 60, na firma Albino & Ferreira, na altura representante da MICHELIN.

Ruma à MICHELIN em meados dos anos 60, com a função de comercial (vulgo “viajante”) da zona centro do país.

Na altura a empresa MICHELIN ainda com a denominação Société d’Explotation Michelin, uma sociedade criada em França para comercializar a marca no estrangeiro, tinha a sua sede na Praça José Queirós em Lisboa e era constituída por uma pequena equipa.

No início dos anos 70, José Carlos Branco inicia o seu percurso dentro da Michelin como Chefe de Vendas Regional, função que desempenhou durante quase 10 anos, numa altura de grande força para a implementação do mercado português dos pneus.

Em 1974 é criada a Michelin Companhia Luso Pneu. A partir desta altura, o mercado regista um grande desenvolvimento, que se acentuou com a entrada do país na União Europeia, em 1988.

No final da década de 80, José Carlos Branco passa a desempenhar funções de Diretor de Vendas de todo o país, contribuindo decididamente para o crescimento do negócio da marca.

Em 1992, a Companhia Luso Pneu inaugurou no Prior Velho uma nova sede, que dispunha de um armazém com 10.500 m2, repartidos por dois pisos e mais 1.100 m2 destinados a escritórios.

Foi a época dourada da Michelin em Portugal, vivida intensamente por José Carlos Branco, que saiu da empresa em 1994, após quase três décadas de um percurso profissional exemplar, onde fez muitas amizades e do qual guardou as melhores recordações.

No mesmo ano, inicia colaboração com a Contipneus – Pneus da Marca Continental SA, desempenhando funções de Assessor da Administração e Product Manager para Pneus de Camião da marca SEMPERIT.

Uma boa parte da notoriedade, sucesso e crescimento exponencial das quotas de mercado das diferentes marcas do grupo, a ele se devem, tendo na altura desempenhado um papel importantíssimo e decisivo, como verdadeiro “Embaixador” da empresa no mercado. Neste período, a quota de mercado da companhia em Portugal, passa de uns modestos 8% para uns significativos 25%.

Em 2001 está na génese da Lusitano Pneus, tendo, conjuntamente com os Srs. Inácio Ribeiro (Ex. Goodyear), Ramiro Rodrigues (Grupo Sobralpneus) e Veiga de Carvalho (Pneus da Península) sido sócio fundador da distribuidora dos pneus SEMPERIT em Portugal. Na Lusitano Pneus, encerra com “chave de ouro” a sua longa e extremamente bem sucedida carreira profissional, deixando uma marca indelével no mercado dos pneus em Portugal, que muito ajudou a dignificar e, ainda hoje se pode orgulhar, esteja onde estiver, da sua organização e método ter feito escola e de ter formado muitos dos bons profissionais deste mercado.