“Existe dumping em muitos produtos da China”

Carlos Marques, administrador da Recauchutagem 31, considera que a produção variada continua a ser uma mais valia para a empresa, especialmente em nichos de mercado.

A Recauchutagem 31 foi fundada em 1969, pelo esforço de Fernando Dias Marques, mas muitos têm sido os momentos históricos na vida da empresa. Entre eles, destaque para o início da parceria com o grupo italiano Ital-Rubber, que a alavancou para um processo de crescimento que ainda se mantém até ao presente. Mas há outro momento significativo para a empresa. O registo de duas marcas de peso: Fedima, para pneus de turismo, comerciais, 4x4 e camião; Cafema, para pneus agrícolas. No caso da Fedima, trata-se nada mais nada menos do que uma marca que, atualmente, é reconhecida pelos seus pares como a detentora da produção mais variada do mundo no setor da reconstrução de pneus.

A concorrência dos pneus novos asiáticos tem prejudicado o desenvolvimento do negócio da FEDIMA?
Muitíssimo. É uma questão que não é recente. Mas, em 2015 e neste início de 2016, sentimos que está a ser absolutamente absurda. Os valores que apresentam no mercado estão muitas vezes abaixo dos nossos custos de produção. Há situações surreais. Nós inovamos, cumprimos as regras e tantas outras exigências. Mas, infelizmente, esta alteração urgente não está ao nosso alcance. Existe dumping cada dia mais visível em muitos produtores da China.

O que representa o mercado nacional para a FEDIMA? E o mercado de exportação?
O mercado nacional esteve estável no último ano e o mercado de exportação baixou um pouco. Estamos, neste momento, com 50/50. Atualmente, exportamos para 20 países.

Quais as principais características dos pneus recauchutados FEDIMA?
Os nossos pneus são ecológicos, seguros, duráveis, desenvolvidos com design, testados e adequados para a sua melhor utilização.

A FEDIMA tem apostado no desporto motorizado para a divulgação da imagem junto do seu público-alvo. Considera que o retorno deste investimento tem sido positivo?
Apoiamos o desporto motorizado há já muitos anos. É a área mais exigente dentro do setor automóvel. Fomos, gradualmente, diversificando estes apoios consoante os novos produtos que desenvolvemos. O retorno em termos de desafio, experiência e imagem de marca é muito positivo. Temos orgulho que o nosso melhor cliente neste setor seja a Fedima Deutschland, nosso parceiro há muitos anos.
 
Também estão presentes em feiras internacionais. Ainda considera importante a presença da FEDIMA nestes Salões?
Sim, é verdade. Continuamos a apostar em algumas feiras, as que consideramos mais importantes. Há sempre necessidade de mostrar alguns produtos novos e há contactos que se consolidam nestas feiras. É, também, uma ocasião em que reunimos presencialmente com os nossos clientes. Durante o ano, nem sempre e viável estarmos juntos.

Lançaram uma plataforma online com a vossa gama completa de pneus. Quais as principais funcionalidades desta ferramenta e como tem sido a recetividade dos clientes?
Foi muito bom para a Fedima e, certamente, para a imagem do setor. Permite ver os pneus de um modo minucioso, rodá-los, aproximá-los, conseguindo obter uma perspetiva real de como é o produto que se procura. Esta plataforma tem já algum tempo, estamos a atualizar, a melhorar e a desenvolver outras opções que nos aproximarão dos nossos clientes.

Num contexto europeu e mesmo mundial, existe espaço para os recauchutadores portugueses enquanto empresas exportadoras e competitivas?
A Europa não se tem protegido e não se vislumbram grandes alterações. Nós continuamos no mercado porque somos exigentes e fazemos bem. De todo o modo e desde o ano passado que tivemos de entrar na guerra do preço em algumas gamas, baixando, drasticamente, alguns preços dos nossos produtos. Não é uma opção que queiramos manter mas fomos obrigados, momentaneamente, pelas circunstâncias atuais. Não acredito na inovação, desenvolvimento e crescimento de uma empresa que mantiver esta política por muito tempo.

Que avaliação faz da performance da sua empresa durante o primeiro trimestre deste ano?
Baixámos a nossa faturação em 15%, porque também somos obrigados a vender mais barato.

Qual foi a estratégia que delinearam para 2016?
Continuar a estabelecer parcerias com grupos de venda e distribuição online, bem como com redes de postos de pneus que proliferam e com quem estamos a cooperar atualmente. Continuando a aproveitar a nossa política de variedade, a aposta nos mercados de nicho que consumam produtos muito específicos faz parte da nossa estratégia para este ano. Em termos de volume de negócio, queremos manter o volume do ano 2015, que foi de €6.373.000.

Como vê o negócio da FEDIMA daqui a cinco anos?
Estamos em grandes mudanças. Estão a acontecer todas as semanas fusões e aquisições de grandes grupos. Fábricas que se deslocalizam, outras que fecham. Nós já diversificamos o nosso negócio há uns anos, tendo sido uma opção importante para apoiar o crescimento da Fedima. Daqui a cinco anos, parece-me um prazo demasiado longo para os tempos de hoje.

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