"O ContiService é um projeto estratégico"

Pedro Teixeira, director-geral da Continental Pneus Portugal (CPP), faz um balanço do desempenho da empresa em 2015 e traça as perspetivas para 2016 relativamente a novos projetos, vendas e investimentos.

Como foi o desempenho da Continental Pneus Portugal em 2015?
Depois de, em 2013, a Continental Pneus Portugal (CPP) ter atingido a liderança do mercado de pneus ligeiros em Portugal, 2015 foi mais um ano de consolidação e de reforço desta liderança. A faturação da CPP, em toda a sua gama de produtos, em 2015 atingiu os 70 milhões de euros, o que representou um crescimento na ordem dos 7,7% em relação a 2014 (que se ficou pelos 65 milhões). Aliás, 2014 já foi um ano excecional no que se refere à performance da CPP no mercado nacional. Um ano em que alcançámos resultados históricos. 2015 permitiu-nos consolidar esta tendência de crescimento.
Dentro do universo das 12 marcas que comercializamos em Portugal, a nossa marca premium Continental é, inquestionavelmente, a mais vendida. Em segundo lugar, uma das marcas que maior reconhecimento e goodwill tem no mercado nacional – clientes CPP e consumidor final - é a Mabor. Depois, temos as nossas marcas Barum e Uniroyal, que representam um excelente exemplo do binómio qualidade/preço.

Sente que os seus clientes estão confiantes quanto ao futuro?
A inversão sentida nos dados de mercado gera confiança. Embora a economia esteja a crescer a um ritmo lento, a tendência inverteu-se. E esse é um excelente sinal. Efetivamente, os anos de crise económica que o país atravessou, também afectaram o setor dos pneus e os nossos clientes também se ressentiram. Esta situação “obrigou” todos os players do mercado a repensarem a sua abordagem e a forma como estão presentes. Foi necessário incorporar mais serviços e mais qualidade na prestação dos mesmos para se poderem diferenciar da concorrência. Efetivamente, 2014 já foi um ano em que o mercado dos pneus deu sinais de recuperação e de inversão no sentido dos resultados. 2015, segundo a ETRMA, foi um ano em que a tendência de crescimento se manteve, com o mercado de pneus ligeiros a apresentar um crescimento na ordem dos 6,6%. No segmento de pesados, o mercado manteve-se estável. Esta tendência de recuperação do mercado tem, felizmente, trazido confiança, o que se reflete nos investimentos.

Que apoio estão a dar aos vossos clientes, a nível de formação técnica e gestão?
A formação é, efetivamente, uma ferramenta que, na Continental, muito valorizamos e que disponibilizamos aos nossos parceiros. Nomeadamente, à nossa rede ContiService. Entendemos que a formação é um meio para criar valor no ponto de venda. E esta formação pode ser disponibilizada a dois níveis - comportamental e técnica. Aproveitando o facto de estarmos inseridos num grupo, que é um dos grande fornecedores da indústria automóvel, temos know-how interno, que pode ser uma mais-valia para os nossos parceiros. Pretendemos de futuro reforçar esta formação em algumas das nossas competências internas, como é o caso da tecnologia TPMS, que é desenvolvida pela Continental.

Quais a perspetivas para 2016, relativamente a novos projetos, vendas e investimentos?
O nosso investimento para 2016 continuará a ser na consolidação e crescimento da nossa rede ContiService. O ContiService é um projeto estratégico e de longo prazo para a Continental Pneus Portugal e é aqui que os nossos esforços estarão concentrados. A seleção dos nossos parceiros tem sido cirúrgica. Queremos criar um modelo que vá ao encontro das reais necessidades do mercado – não só do nosso agente mas, também, do consumidor final. Queremos ter uma cobertura nacional. Definimos que até 2020 teremos 80 pontos ContiService. Queremos apoiar os nossos parceiros na venda e na criação de tráfego para a oficina. Apoiá-lo na implementação de ferramentas de trade marketing, de gestão do negócio e de comunicação. Paralelamente, queremos que o consumidor final identifique na rede ContiService os valores e o posicionamento da nossa marca – qualidade – e que ao mesmo tempo associe o ContiService à reputação do nosso parceiro. Do ponto de vista de presença no mercado, temos como objetivo reforçar a nossa liderança em ligeiros e crescer no segmento de pneus pesados. Aumentar a notoriedade da marca premium Continental. Diversificar o negócio nos diferentes canais. Queremos estar mais perto dos nossos clientes e das suas necessidades, bem como do consumidor final.

Questões sobre o mercado:

Que medidas entende serem prioritárias para garantir a sustentabilidade das oficinas de pneus em Portugal?
Num mercado tão diverso e maduro como o mercado português, existe espaço para diferentes realidades e formas de atuar. No entanto, estamos convencidos que os níveis de exigência do consumidor final vão continuar a aumentar, o que significa que requer maior qualidade e melhores níveis de oferta ao consumidor final. Hoje, o tempo é um bem escasso e o consumidor final é o maior ativo de qualquer oficina de pneus. Muitas vezes captar mais consumidores é mais difícil do que diversificar e alargar o nível de oferta de serviços. Pelo que este pode ser um caminho que leve ao crescimento de algumas das empresas. O investimento em novos equipamentos e em formação são essenciais para prestar um serviço de qualidade ao cliente. Otimização de processos. Pelo que o suporte em parceiros fortes, como é o caso da Continental, pode ser importante para obter alguns dos recursos necessários para garantir a sustentabilidade do negócio.

Em que áreas as oficinas de pneus devem investir a fim de se tornarem mais competitivas?
As oficinas de pneus devem, sobretudo, avaliar quais as competências que têm já internamente (aqui falo de recursos humanos). Por exemplo, se uma oficina quer desenvolver mecânica, há várias perguntas a colocar. Que níveis de competências têm internamente? Terá de contratar? Com mais este nível de serviço, vai otimizar o espaço existente ou terá de abdicar de parte do que faz hoje? Tendo isto por base, não existe uma única solução para todas as oficinas de pneus. E este é apenas um dos exemplos. Mas, sobretudo, o que é importante que as oficinas possam fazer é analisar a sua oferta de serviços de forma a perceberem se podem desenvolver mais a sua oferta e, assim, diversificarem os seus serviços. Por outro lado, têm de investir na qualidade dos seus serviços e, neste campo, a formação é essencial. De forma a poder consolidar a sua abordagem ao mercado, é necessário desenvolver comunicação eficaz e continua, para os seus consumidores atuais e captar futuros. As oficinas necessitam de ter a capacidade de dar uma resposta eficaz aos clientes de forma a fidelizá-los. São muitos os desafios que, hoje, se colocam às oficinas. E nós, Continental, queremos ser encarados, pelos nossos clientes, como os parceiros preferenciais para ajudá-los nesta missão. Só desta forma será possível gerar negócio e garantir o futuro e a sustentabilidade do mesmo.

Que segmento de pneus considera ter mais futuro? Porquê?
O futuro do setor dos pneus estará sempre intrinsecamente ligado ao setor automóvel. Questões como a mobilidade de futuro e a mobilidade alargada terão de ser, também, consideradas pelos players. O segmento UHP (jantes igual ou superior a 17’) é, certamente, um segmento a ter em conta no futuro pela sua força e crescimento, que já, hoje, se verifica, e que leva a que represente, atualmente, 22% do mercado total de pneus. A tendência de equipar viaturas novas com jantes cada vez maiores vai com certeza refletir-se na oferta do mercado de substituição. Outro segmento que, atualmente, ainda tem pouca expressão, mas que no futuro vai crescer, são os produtos específicos para veículos elétricos e híbridos, nos quais a Continental já está a apostar com a gama Conti.eContact. As marcas que tiverem capacidade para antecipar tendências e necessidades e dar resposta a estes nichos de mercado são as que melhores desempenhos apresentarão.

Quais são, na atualidade, os maiores desafios para os distribuidores de pneus?
No que se refere ao canal de distribuição, um dos maiores desafios são as margens do negócio e a diferenciação do serviço. Ao longo dos últimos anos, este canal tem vindo a crescer no mercado português, sendo que esse crescimento sustentou o crescimento do nível de serviço. Nomeadamente, a qualidade do serviço de logística. Hoje, quase todos os distribuidores dispõem de entregas bi-diárias em grande parte do país, sendo que nas zonas de maior volume, concretamente em Lisboa, chegam a entregar mais do que duas vezes ao dia. O aumento do nível de serviço leva a um aumento dos custos, suportado pela mesma rentabilidade percentual. Quando se está em período de crescimento e expansão, todos estes custos acabam por ser suportados pelo aumento de volume de vendas, mas quando se entra num período plano em termos de evolução, torna-se necessário fazer opções. Julgamos que do ponto de vista deste canal, o grande debate interno poderá ser se este aumento de serviço deve ser compensado, por exemplo, por diferentes níveis de preços de acordo com o tipo de entregas. E, ao mesmo tempo, perguntarem-se se efetuarem a mudança como irão reagir os seus concorrentes e o próprio mercado? Por outro lado, coloca-se a questão se o nível de entregas deve manter-se ao mesmo nível para o futuro? Como podemos imaginar, as questões que, atualmente, se colocam aos distribuidores são muitas e apenas uma certeza: não existe uma resposta única a cada uma destas questões. O mercado é muito dinâmico e, certamente, iremos assistir no futuro a mais alterações e adaptações, de forma a que os intervenientes possam ajustar a sua resposta às necessidades